Mudanças no corpo


No segundo trimestre, as mudanças no corpo da gestante começam a se tornar mais rápidas e aparentes. A cintura engrossa, a barriga torna-se um pouco mais delineada e o tronco, os braços e o rosto tendem a ficar mais arredondados, principalmente pela maior retenção de líquidos. Além destas, outras mudanças que ocorrem neste período estão descritas na sequência.

 

► Corrimento vaginal (leucorréia)

Durante o segundo trimestre, o aumento do muco (secreção) que se iniciou com a gravidez, permanece trazendo a sensação de umidade na região vaginal.
O que fazer: Para evitar infecções alguns cuidados devem ser seguidos:
    • manter a região genital sempre limpa e seca;
    • usar calcinhas de algodão;
    • evitar roupas apertadas, como calças jeans, principalmente nos dias quentes;
    • evitar duchas vaginais (chuveirinho); 
    • não se deve usar cremes vaginais sem a avaliação do profissional que está acompanhando.
Atenção: Se o corrimento ficar com cor escura (esverdeada, cinza ou marrom), apresentar mau cheiro ou coceira, pode ser sinal de alguma infecção. Nestes casos, deve-se procurar rapidamente o lugar onde se está fazendo o pré-natal, pois podem haver complicações na gravidez e até risco de aborto.

► Colostro

Por volta do quarto mês, as mamas começam a se preparar para a amamentação. Assim, a partir deste período, a gestante poderá notar um pequeno gotejamento de um líquido levemente amarelado de suas mamas. Este líquido chama-se colostro e é uma substância rica em proteínas, água e células de defesa, que precede o leite materno e que alimentará e protegerá o bebê nos seus primeiros dias de vida.
O que fazer: Lavar normalmente as mamas durante o banho diário, sem espremê-las para retirar o colostro.
Atenção: Apertar as mamas ou os bicos e aréolas pode estimular a contração do útero, o que não é desejável neste momento.

► Mamas

Com a gravidez, as mamas aumentam, podendo ficar mais sensíveis, doloridas e pesadas. Além disso, as aréolas (região escura em torno do bico da mama) geralmente ficam mais escuras que o normal.
O que fazer: Para proporcionar maior conforto, pode-se:
    • usar sutiãs que tenham alças largas e que sustentem bem as mamas. Além de evitar o estiramento da pele prevenindo as estrias, diminuem a dor nesta região;
    • adequar o número do sutiã ao crescimento das mamas. Elas devem ser acomodadas por inteiro dentro do sutiã.
Preparo para amamentação: A gestante deve preparar suas mamas durante toda a gestação para que a amamentação ocorra de forma mais tranquila. Alguns cuidados podem ser tomados para que isso ocorra:
    • durante o banho, lavar as mamas com uma bucha natural, sem esfregar com força para não machucar as mesmas. Passar a bucha sobre as aréolas para que a pele fique mais resistente e diminuam as chances de ocorrer rachaduras ou sangramentos durante a amamentação;
    • se possível, expor as mamas ao sol por 10 a 15 minutos antes das 10 horas ou após às 16 horas, ou usar uma lâmpada de 40 watts a um palmo de distância das mamas (especialmente nos bicos) para deixá-las mais resistentes.
Atenção: Se estiverem vermelhas, coçando ou saindo um líquido parecendo pus ou sangue pelo bico, a Unidade Básica de Saúde deve ser procurada.  

► Apetite

A partir do quarto mês de gestação é comum começar a sentir mais fome, principalmente porque o organismo passa a necessitar de mais energia para nutrir a mãe e o bebê em formação.
O que fazer: Ao longo de toda a gestação, o cuidado com a alimentação é fundamental. O importante é que se alimente bem, sem exageros e com qualidade. Agindo assim, a gestante garantirá uma gestação saudável e melhores condições de saúde tanto para si como para seu filho. Para saber mais ver o item Alimentação em Cuidados Básicos.

► Aumento de peso

Durante a gravidez a gestante deve ganhar em média de 9 a 12 kg, mas isso pode variar se o profissional que a acompanha identificar que ela está desnutrida ou que está com excesso de peso. Se o peso dela estiver adequado, a gestante pode aumentar aproximadamente 400g por semana no segundo trimestre da gravidez, ou seja, a cada mês um aumento de mais ou menos 1,6 kg. Grande parte deste ganho se concentra na região da barriga que, a partir do 4º mês, começa a aparecer.
O que fazer: Ter uma alimentação saudável e balanceada pode ajudar a manter as metas de peso. Sempre mastigar bastante, pois além de facilitar a digestão, ajuda a saciar a fome. Além disso, também são recomendadas atividades físicas leves, como caminhadas diárias de aproximadamente 30 minutos ou três vezes ao dia, de 10 minutos cada. Para saber mais ver Cuidados Básicos.
Atenção: Manter o ganho de peso previsto para cada fase, ajuda a diminuir os riscos de diabetes, pressão alta, dores nas costas, varizes, cansaço, além de melhorar as condições durante o parto e a recuperação da forma da mulher depois do parto.

► Dores nas costas

Poucas são as gestantes que não se queixam de dor nas costas, que normalmente localizam-se na região lombar. Essas dores são conseqüência de uma maior mobilidade nas articulações da bacia e da coluna, devido ao corpo estar se ajustando ajustando ao crescimento do bebê. Une-se a isto o fato de que a barriga em crescimento provoca uma inclinação dos ombros para trás, tentando manter o equilíbrio do corpo para que a gestante não caia para a frente. Pessoas sedentárias são as mais propensas a terem dores nas costas devido ao não fortalecimento dos músculos, que estão flácidos e sem força para suportar o peso extra.
O que fazer: Para diminuir os incômodos causados pela dor nas costas pode-se:
    • manter o ganho de peso corporal dentro do esperado para o trimestre;
    • antes de levantar da cama fazer movimentos circulares nas articulações das mãos e pés para lubrificar estas articulações para o dia;
    • para levantar da cama sem forçar a coluna, virar o corpo de lado, apoiar sobre o cotovelo, colocar os pés para fora da cama e com ajuda dos braços levantar o tronco.
    • evitar levantar objetos pesados e, se o fizer, agachar quando for pegá-lo do chão (dobrando os joelhos e não as costas);
    • não ficar em pé por períodos muito prolongados, tentando alternar um pouco de repouso sentada com os pés apoiados num banquinho;
    • se tiver que ficar sentada por longos períodos, levantar a cada hora para estimular a circulação;
    • fazer caminhadas de 30 minutos pelo menos 3 vezes por semana ou 3 caminhadas de 10 minutos cada; 
    • usar sapatos confortáveis, de salto baixo, de no máximo 5 centímetros, e evitar sapatos com saltos altos porque estes aumentam as chances de desequilíbrio e quedas;
    • dormir em colchões rígidos, de lado e com um travesseiro entre as pernas;
    • aplicar compressas quentes na região;
    • massagens também são bem-vindas.
Atenção: Não tomar medicação por conta própria. Se a dor nas costas for muito intensa, procurar a Unidade Básica de Saúde.

► Dormência ou formigamento no “pé da barriga” (baixo ventre)

O bebê está crescendo e posiciona-se mais para baixo na pelve da gestante, o que pode dar uma sensação de compressão no baixo ventre, às vezes acompanhada de adormecimento no local.

► Umbigo

Durante a gravidez, o umbigo pode adquirir um aspecto que lembra um botão, mas após o parto a aparência do umbigo volta ao normal.

► Coceira na barriga

Algumas gestantes, com o passar dos meses, começam a sentir coceira em várias partes do corpo, especialmente na barriga, pelo estiramento da pele.
O que fazer: Para reduzir este desconforto, pode-se:
    • hidratar intensamente a pele todos os dias com cremes e/ ou óleos para combater o ressecamento natural;
    • beber bastante água e comer frutas e verduras também ajuda a manter a saúde da pele;
    • evitar coçar a região para não estimular o aparecimento de estrias e não ferir a pele.
    • quando a coceira for muito forte, passar a mão sobre a região do incômodo ou dar leves beliscadas com as pontas dos dedos e não com as unhas.

► Estrias
São causadas pela distensão dos tecidos. No início costumam apresentar cor arroxeada, mas com o tempo vão perdendo a cor até se tornarem esbranquiçadas. São mais comuns nas mamas, abdômen, pernas e glúteos. Dependendo do tipo da pele, elas terão maior ou menor tendência de surgir, mas se o ganho de peso for muito acima do esperado, maiores serão as possibilidades de que elas apareçam.
O que fazer: Alguns cuidados podem ser tomados para minimizar seu surgimento:
    • beber bastante líquido, preferencialmente água ou suco natural, de 08 a 10 copos de requeijão (250 ml) por dia;
    • comer de forma balanceada e controlando o ganho de peso (Para saber mais ver a seção Alimentação em Cuidados Básicos);
    • se possível, massagear a pele com cremes e soluções hidratantes, mas evitando a região das aréolas (somente em volta das mamas);
    • se a pele do abdômenda barriga ou das mamas, por exemplo, estiver coçando, evitar usar as unhas para coçar. O melhor é dar pequenos beliscões na região onde está coçando. Isto evita que a pele seja distendida e surjam as estrias.
► Celulite

É o aparecimento de ondulações ou furinhos na pele, dando a esta o aspecto de casca de laranja.
O que fazer: Para tentar diminuir a chance dela aparecer, pode-se:
    • evitar o aumento excessivo de peso (Para saber mais ver na seção Cuidados Básicos os itens: AlimentaçãoAtividades Físicas);
    • evitar o consumo de alimentos gordurosos e refrigerantes;
    • beber muito líquido;
    • realizar atividades físicas adequadas para gestantes;
    • se possível, procurar tratamentos alternativos como massagens e cremes naturais, que esquentam a região e ativam a circulação.

► Manchas escuras no corpo

Durante a gravidez são comuns aparecerem manchas no corpo. Na maior parte das vezes, esta manchas estão relacionadas à variação hormonal e a fatores genéticos. Dentre as manchas, as mais comuns são os cloasmas gravídicos que costumam aparecer no rosto. Os cloasmas costumam diminuir ou desaparecer após o parto.
Atenção: Os cloasmas podem permanecer caso a grávida se exponha excessivamente ao sol ou sem os cuidados adequados.
O que fazer: Para prevenir ou minimizar os efeitos destas manchas deve-se:
    • evitar a exposição direta ao sol, principalmente do rosto;
    • usar protetor solar;
    • usar boné ou chapéu, além do protetor solar quando o sol estiver muito forte.

► “Linha Nigra”

É uma das alterações que podem ocorrer na pele durante a gravidez. A "Linha Nigra", uma linha escura vertical no centro da barriga que vai do estômago à região pubiana. Esta linha é normal e tende a desaparecer após alguns meses do parto.

► Espinhas e cravos (acne)

A gravidez provoca um aumento da oleosidade da pele que, por sua vez, pode gerar o aparecimento de espinhas e pontos negros (cravos) principalmente no rosto, nas costas, no peito e nos ombros.
O que fazer: Alguns cuidados podem ser tomados para evitar o aparecimento da acne e minimizar seus efeitos:
    • a higiene adequada do rosto pode ajudar a prevenir e mesmo tratar o problema. O ideal é controlar a oleosidade lavando o rosto duas vezes ao dia, se possível com sabonete específico para o seu tipo de pele e se possível enxugar o rosto com um papel toalha ou uma toalha de rosto individual e só para esta finalidade;
    • evitar o excesso de sol;
    • não usar produtos à base de óleo no rosto.

► Cabelos

As alterações no cabelo variam de mulher para mulher. O cabelo encaracolado pode tornar-se mais liso e o cabelo liso pode encaracolar, podendo algumas destas alterações manter-se após o parto. Ainda durante a gestação, o cabelo tende a crescer mais grosso, a cair menos, ficando mais cheio e volumoso e ganhando brilho extra. Depois do parto, pode acontecer de aumentar a queda de cabelos, mas geralmente este é um episódio passageiro e logo o cabelo deve deixar de cair e voltar a crescer normalmente.
Atenção: Em geral, são desaconselhadas colorações, permanentes ou alisamentos durante toda a gestação. Caso decida tingir o cabelo, a gestante não deve fazê-lo sozinha. Deve-se aplicar o produto bem longe da raiz para não ter contato com o couro cabeludo. Hoje já existem produtos sem amônia, que são mais indicados para gestantes e é importante ficar longe de tintas que contenham chumbo em sua fórmula. Para saber mais ver o item Exposição a Riscos em Prevenção.

► Unhas

As unhas podem se tornar secas e quebradiças durante a gravidez. Isto pode estar relacionado à carência de cálcio e de vitamina D.
O que fazer: Para evitar unhas quebradiças recomenda-se comer alimentos ricos em cálcio e em vitamina D, além do banho de sol que ajuda na produção desta vitamina pelo corpo. Para saber mais sobre que alimentos possuem vitamina D e Cálcio ver o item Alimentação em Cuidados Básicos.

► Desejo em comer coisas que não são alimentos como tijolo, terra, pedra entre outros

Indica-se procurar o serviço de saúde.

► Nojo de alimentos

É comum, durante a gravidez, que se sinta nojo de alguns alimentos. As causas podem ser diversas e variar de pessoa para pessoa. Caso este nojo esteja limitando a qualidade da alimentação da gestante, colocando em risco a sua saúde e o desenvolvimento do feto, deve-se procurar a Unidade Básica de Saúde.

► Enjôos e vômitos

Geralmente desaparecem após os primeiros três meses de gestação. Os desconfortos iniciais tendem a diminuir e, com estas mudanças, a gestante geralmente passa a se sentir mais disposta.
Importante: Assim como no primeiro trimestre, é importante que se reponha o líquido perdido com os vômitos, bebendo muita água ou suco de frutas para não se desidratar e que se coma de 3 em 3 horas para não se desnutrir.
Atenção: Se a grávida estiver vomitando muito, a ponto de não conseguir comer ou beber, assim como no primeiro trimestre, é importante não usar medicações por conta própria e procurar a Unidade Básica de Saúde.

► Queimação (azia) e dificuldade de digestão
Durante a gravidez, os movimentos do estômago e do intestino tendem a diminuir, dificultando a digestão dos alimentos. Esta diminuição também faz com que o alimento volte, o que irrita as paredes do esôfago e gera a sensação de queimação (azia). Além disso, o crescimento do útero empurra o estômago para cima, favorecendo o refluxo.
O que fazer: Para diminuir ou evitar a azia, pode-se:
    • evitar ficar muitas horas sem comer. Programar-se para comer no intervalo de 3 horas entre as refeições e os lanches;
    • a última refeição do dia deve ser leve (sopas, saladas, frutas) e, se possível, pelo menos 2 horas antes de deitar;
    • procurar comer com calma, sem pressa, mastigando bem. Cada refeitção deve durar aproximadamente 20 minutos;
    • não comer e deitar-se em seguida. Esperar no mínimo 2 horas;
    • evitar alimentos preparados com muita gordura como frituras;
    • evitar alimentos com corantes e conservantes, pois estes podem piorar a queimação (temperos prontos de pacote ou tablete, macarrão ou sopa instantâneos, salgadinhos, suco em pó, entre outros);
    • evitar café, chá preto, mates, refriderntes, doces, álcool e fumo;
    • evitar beber líquido junto com a comida. Procurar beber meia hora antes de comer ou uma hora depois;
    • fazer caminhadas de 30 minutos pelo menos 3 vezes por semana.

► Prisão de ventre
É um sintoma comum durante a gravidez. Geralmente, provoca dor na parte inferior do abdômen e pela dificuldade de fazer cocô. As principais causas deste problema, nesta fase da gravidez, são as mudanças hormonais que deixam o processo digestivo mais lento e menos eficiente e o crescimento do útero que passa a comprimir o intestino dificultando seu funcionamento normal (constipação intestinal).
O que fazer: Algumas dicas para amenizar este problema são:
    • comer verduras, legumes e frutas como couve, brócolis, quiabo, alface, rúcula, vagem, mamão, banana (para saber mais ver a seção Alimentação em Cuidados Básicos);
    • mastigar bem os alimentos;
    • evitar deitar após as refeições;
    • beber bastante água, no mínimo 8 a 10 copos de requeijão por dia;
    • evitar ingerir líquidos 30 minutos antes e 2 horas após as refeições;
    • fazer caminhadas diariamente. Pode ser uma de 30 minutos ou três de 10 minutos. Nas caminhadas, usar calçados fechados e confortáveis, evitar carregar bolsa, sacolas ou conversar.
Atenção: Não usar laxantes sem orientação médica. Caso a prisão de ventre perdure muitos dias ou cause muito incômodo, deve-se procurar a Unidade Básica de Saúde.

►  Hemorróidas
São varizes na região anal. Podem estar relacionadas a uma tendência à prisão de ventre da gestante e o esforço que é feito para evacuar ou também uma má circulação sanguínea local. A própria gravidez já é um dos determinantes, pois há aumento do volume e peso aumentando a pressão na região inferior do abdômen. Algumas pessoas que têm hemorróidas não têm sintomas, entretanto outras podem ter o aumento e inchaço das veias ao redor do ânus, coceira, ardor, dor e, às vezes, sangramento vermelho vivo, durante a evacuação separado das fezes. 
O que fazer: Para amenizar este incômodo podem-se seguir os mesmos cuidados tomados para evitar a prisão de ventre. Além disso, sugere-se:
    • evitar usar papel higiênico para se limpar após usar o banheiro;
    • fazer higiene íntima com água e sabão neutro depois de usar o banheiro;
    • se possível, usar meia elástica de média compressão para gestantes, pois ajuda a melhorar a circulação.
Atenção: Caso haja dor ou sangramento frequente, deve-se procurar a Unidade Básica de Saúde.

► Varizes
A frequência de varizes na gravidez é grande. Geralmente estão relacionadas, nesta fase, à ação de hormônios e à pressão que o útero começa a exercer na região pélvica, dificultando o retorno do sangue e aumentando a pressão sanguínea nas veias das pernas.
O que fazer: Para evitar o aparecimento das varizes é indicado:
    • controlar o peso, evitando o aumento além do esperado em relação à altura e estado nutricional;
    • fazer atividades físicas leves como caminhadas;
    • não permanecer muito tempo em pé ou sentada;
    • quando sentar, procurar deixar as pernas elevadas;
    • evitar qualquer atividade que requeira muito esforço físico;
    • não usar roupas muito justas. Dar preferência aos vestidos leves e soltos;
    • usar sapatos de salto baixo e com a base larga;
    • se possível, utilizar meia-calça elástica para gestante (média compressão), vestindo-a logo ao acordar pela manhã, quando a perna ainda não está muito inchada. Não dormir com a meia de compressão. 

► Inchaço (edema)
A partir do quarto mês de gestação, as pernas, os tornozelos e os pés tendem a ficar mais inchados. Isto ocorre tanto pela maior retenção de líquido como também pelas modificações da circulação sanguínea. Conforme a gravidez avança, maior é a chance de apresentar inchaço, porque o peso do bebê e do útero em crescimento comprimem as veias que fazem o sangue retornar das pernas e pés e continuar a ciculação. Este sintoma também está relacionado ao tipo de alimentação feita, à relação de peso e altura, às atividades físicas realizadas, entre outras..
O que fazer: Algumas recomendações para minimizá-lo são:
    • apoiar os pés sobre um banquinho quando estiver sentada;
    • evitar longos períodos em pé, alternando períodos em pé e sentada;
    • usar sapatos confortáveis e evitar usar meias com elásticos que possam bloquear a circulação, exceto aquelas apropriadas para a melhora da circulação (meias de compressão);
    • usar meias de compressão próprias para gestante, colocando-as logo ao levantar da cama, quando o inchaço é menor. Não deitar com a meia de compressão;
    • quando houver inchaço, deitar em posição confortável e colocar uma almofada, ou toalha ou outro objeto para elevar os pés até 30 cm para facilitar o retorno;
    • evitar usar roupas apertadas;
    • evitar banhos muito quentes e demorados;
    • beber bastante líquido;
    • reduzir, mas não eliminar o sal da dieta, pois ele contem iodo, que é necessário para a saúde do bebê.
Atenção: Se o inchaço for excessivo ou permanecer depois de uma noite de sono, deve-se comunicar o profissional de saúde. Além disso, é importante observar se houve um ganho muito rápido de peso. Aumento de mais de 500g em uma semana pode ser um sinal precoce de doença. Nestes casos, recomenda-se procurar a Unidade Básica de Saúde para se investigar o que está acontecendo. Para saber mais ver o item Sinais de Risco.

► Câimbras
São dores fortes (espasmos ou enrijecimento musculares) nos pés, na barriga da perna (panturrilha) e nas coxas que aparecem principalmente à noite e pela manhã, ao acordar. Podem estar relacionadas às mudanças na circulação sanguínea, à necessidade de adaptação da dieta ou à fadiga muscular.
O que fazer: Para aliviar a dor e o incômodo causado pelas câimbras, pode-se:
    • massagear e alongar o músculo contraído e dolorido e aplicar compressas mornas no local;
    • aumentar o consumo de alimentos ricos em potássio, cálcio e vitamina B1 (Para saber mais ver a seção Alimentação em Cuidados Básicos);
    • evitar carregar peso e o excesso de exercícios;
    • usar meias elásticas de média compressão (próprias para gestantes) durante o dia;
    • alternar períodos em pé e em repouso.

► Entupimento do nariz e do ouvido
Há um aumento da espessura da mucosa nasal levando a sensação de entupimento do nariz. Além disso, a ação dos hormônios pode produzir zumbidos e a diminuição da audição, mas são modificações reversíveis após o parto.
O que fazer: Os cuidados para esta mudança envolvem:
    • evitar o uso de descongestionantes em gotas;
    • não tomar remédios sem o consentimento do médico;
    • não assoar o nariz com força.

► Sangramento nasal
A mucosa nasal fica mais vascularizada (recebe mais sangue) durante a gestação. Além disso, as ações hormonais podem deixar a área mais fragilizada, contribuindo para a ocorrência de sangramentos.
O que fazer: Para conter o sangramento nasal, deve-se:
    • pressionar na região superior do nariz com os dedos indicador e polegar por alguns minutos; 
    • sentar-se reto. Não deitar a cabeça nem para trás nem para frente;
    • realizar compressas frias no local.

► Problemas bucais
Algumas gestantes podem sofrem problemas bucais durante a gravidez como, por exemplo, inchaço, maior sensibilidade e, em alguns casos, inflamações e sangramentos das gengivas. Isto acontece porque as gengivas ficam mais sensíveis às ações das placas bacterianas durante a gravidez e também pelo aumento da vascularização local. Por outro lado, a gravidez não é responsável pelo surgimento de cáries ou pela perda de dentes. Na maioria das vezes, essas ocorrências estão relacionadas à má escovação dos dentes e a hábitos alimentares prejudiciais como o consumo excessivo de doces.
O que fazer: Para prevenir os problemas bucais deve-se:
    • escovar os dentes e a língua após as refeições ou pelo menos de 8 em 8 horas;
    • usar escova de dente macia;
    • passar fio dental frequentemente;
    • evitar comer doces, balas e guloseimas;
    • ir ao dentista no início da gestação.
Atenção: É importante que a gestante com problemas dentários procure tratamento. A gestação não é contra-indicação para anestesia local. Problemas dentários não só podem contribuir para o baixo peso do bebê ao nascer como também interferir na futura saúde bucal da criança.
Importante: As Unidades Básicas de Saúde oferecem serviço odontológico gratuito, além de fornecerem, geralmente, o material para a escovação e limpeza dos dentes (escova, pasta e fio dental). Os profissionais da Unidade Básica de Saúde dão prioridade ao atendimento das gestantes e crianças, o que significa que a mulher, na hora de agendar a consulta deve avisar que está grávida. Para saber mais sobre os direitos da gestante ver a seção Acesso a Direitos.

► Batedeira (Taquicardia)
É uma sensação de desequilíbrio, de coração descompassado e batendo mais rápido. É importante lembrar que, durante a gestação, o coração passa a trabalhar mais rápido para garantir volume suficiente de sangue para a mãe e o seu bebê. É esperado que, neste período, haja um aumento médio da frequência cardíaca de 15 batimentos por minuto.
O que fazer: Se a alteração nos batimentos cardíacos estiver causando incômodo pode-se:
    • sentar e abaixar a cabeça ou deitar sobre o lado esquerdo do corpo, respirando normalmente para ativar a oxigenação cerebral;
    • passar a usar roupas frescas e leves;
    • sempre que possível, estar em ambientes bem arejados;
    • repousar.
Atenção: Caso as alterações cardíacas estejam causando muito incômodo ou se perceba que estão acima do normal (a frequência cardíaca está aumentando mais do que 15 batimentos por minuto), deve-se procurar a Unidade Básica de Saúde.

► Tontura e desmaios

Ocorrem geralmente por queda de pressão e tempo prolongado de jejum. O acúmulo de sangue no baixo ventre e nos membros inferiores, característico desta fase, também pode ocasionar tontura ao se levantar rapidamente.
O que fazer: Para prevenir ou minimizar a tontura e suas consequências, deve-se:
    • assim que começar a sentir tontura, procurar sentar. Isso não somente ajuda a diminuí-la como previne uma queda;
    • evitar ficar com o estômago vazio. Para isso, pode-se programar para que de 3 em 3 horas se coma alguma coisa;
    • tomar também bastante líquido, preferencialmente, água ou suco natural. Beber entre 08 e 10 copos (250ml/requeijão) por dia;
    • evitar ficar em ambientes fechados e com pouca circulação de ar;
    • sempre que possível, evitar ficar longos períodos em pé;
    • quando estiver deitada ou sentada, procurar se levantar lentamente.
Importante: O maior perigo da tontura é o desmaio. Caso a gestante sinta que vai desmaiar, ela deve respirar fundo, sentar-se e pôr a cabeça entre seus joelhos ou deitar-se do lado esquerdo. Essas posições ajudam a melhorar a circulação de sangue no cérebro, diminuindo a sensação de desmaio.
Atenção: Tontura constante ou acompanhada de embaçamento da visão e dor de cabeça ou palpitação pode ser sintoma de anemia ou outro problema mais sério que pode afetar a gravidez. Neste caso, entrar em contato com a Unidade Básica de Saúde.

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